Trend do fantasma: por que o papel sai voando
Sempre uma trend acaba assombrando seu momento de descanso, não é mesmo? A moda do momento é entreter as crianças com um fantasminha voador: usando um isqueiro, o adulto coloca fogo em um guardanapo (ou semelhante) e espera que esse pedacinho de papel “decole” até o teto.
É basicamente uma nova roupagem do que, na década de 1980, chamavam de “galinha preta” ou “balão de jornal”.
👻Mas o que explica esse fantástico mistério do fantasminha? São dois fenômenos principais: ciclo de convecção do ar (o fator mais importante) e redução do peso do papel. Entenda abaixo.
Trend do fantasminha encanta crianças nas redes sociais
Reprodução/Redes sociais
⭕Fator 1: ciclo de convecção
A chama aquece o ar que está ao redor e dentro do “tubo” de papel (também conhecido como “fantasminha).
💨Precisamos lembrar aqui que o ar quente é menos denso do que o ar frio. Por quê? Imagine milhões de moléculas como bolinhas invisíveis soltas pelo ambiente.
Quando o ar está frio, elas têm menos energia: vão se movimentar devagar, bem juntinhas umas das outras.
Quando o ar é aquecido (o que ocorre após o uso do isqueiro), estamos fornecendo mais energia para as moléculas. Elas ficam agitadas, mexem-se mais rapidamente, “trombam” e podem se afastar. O gás, com isso, expande-se.
Portanto, comparando o mesmo volume, haverá menos moléculas no ar quente do que no ar frio. Como densidade é massa/volume, podemos dizer, como escrito acima, que o ar quente é menos denso que o ar frio.
“É um ‘fluxo de sucção’: o ar aquecido sobe, gera um fluxo de baixa pressão embaixo dele, e o ar frio ocupa aquele espaço”, explica Fred Zenorini, professor de Física e autor do “Física no Fusca”.
“Isso gera essa força chamada ‘empuxo’, vinda de baixo para cima. Ela ganha da força-peso do fantasma e faz com que ele suba.”
Forma-se, assim, uma corrente de convecção.
Em resumo, o processo é:
🔥 a chama aquece o ar;
⬆️ o ar quente fica menos denso e sobe;
⬇️ o ar mais frio ocupa o espaço deixado por ele;
🔄 o movimento contínuo cria uma corrente de convecção.
No caso do fantasminha, essa corrente ascendente passa pela estrutura de papel e contribui para levá-la para cima.
⭕Fator 2: papel mais leve
Quando o papel começa a queimar, a celulose dele é transformada em gás carbônico e em vapor d’água, que se dissipam pelo ar. Ou seja: aquele pedacinho de guardanapo vai perdendo massa e ficando cada vez mais leve.
“O resultado da experiência do fantasma é uma junção dos dois fenômenos. Talvez, sem a perda de massa do papel na combustão, a corrente de ar ascendente não fosse suficiente para fazê-lo subir”, diz Caio Brito, autor de Física do Sistema de Ensino pH.
Como reproduzir o experimento em casa?
O primeiro passo é escolher o tipo correto de papel.
“Quanto mais leve, mais ele tenderá a voar. Mas também não pode ser algo que queime muito rápido, porque aí não dará tempo de aquecer suficientemente o ar para criar a corrente de convecção”, explica Acauan Figueiredo, professor de Física do Curso Anglo.
É possível usar papel higiênico (separando as camadas, para que fique mais fininho), por exemplo. Nas redes sociais, várias tentativas bem-sucedidas reaproveitam o saquinho do chá (sem o pó de dentro, claro).
Depois, é hora de separar um prato, como de porcelana, como base.
Por último, use o isqueiro (com cuidado!) e crie a chama na ponta superior do fantasminha.
Dicas de segurança
Dê preferência para ambientes sem vento.
Não deixe crianças reproduzirem o experimento sozinhas.
Mantenha distância de cortinas, enfeites pendurados na parede ou materiais inflamáveis, porque o fantasma pode voar para qualquer lado. Não queremos cenas reais de filme de terror.